Arthur Omar
BiografiaArthur Omar de Noronha Squeff(Poços de Caldas MG 1948) Vive no Rio de Janeiro desde que se iniciou na vida artística. Apesar de mais conhecido como cineasta, Omar acumula talentos também em áreas tão diferentes como a fotografia, o vídeo, as artes plásticas e a composição musical. Sua filmografia inclui alguns dos mais importantes filmes experimentais realizados no Brasil, tais como Congo (1972), O Anno de 1798 (1975), Tesouro da Juventude (1977), Vocês (1979), Música Barroca Mineira (1980), O Som ou Tratado de Harmonia (1984), Ressurreição (1987), O Inspetor (1988) e o longa-metragem Triste Trópico (1974). Fora do cinema, podem-se citar também contribuições criativas na área da música (Silêncios do Brasil) e da fotografia (Antropologia da Face Gloriosa). Começa a trabalhar com vídeo nos anos 80 e nos 90 descobre novos caminhos para a videoinstalação, como em Inferno (Arte Cidade, 1994) ou Máquina Zero (FórumBHZVídeo, 1995). Arthur Omar é considerado uma das grandes surpresas da virada dos 80 para os 90. Em Nervo de Prata (1987), o espectador é atirado no interior de um túnel sem começo e sem fim, onde acontecem situações estranhas e desconcertantes, envolvendo gêmeas siamesas unidas pelos cabelos, cobras, sapos e dentistas à beira de um ataque de nervos. Em Férias do Investigador (1994), instalações e esculturas do artista Milton Machado são interpretadas pela câmera e pela montagem de Omar, mas essa interpretação, no mesmo instante em que amplifica a estranha lógica do artista, dialoga com ela, resiste a ela, às vezes até parece que se opõe a ela, como num jogo dialógico. Já em A Coroação da Rainha (1996), o realizador parece resolver à sua maneira um certo impasse dos grupos independentes dos anos 80: em lugar de uma dissolução do outro na cultura dos próprios realizadores, em lugar da simples busca de um contato com o outro, Arthur Omar adere inteiramente ao outro, converte-se à sua religião e se torna um crente como todos os demais protagonistas de seu vídeo. Assim, Coroação nos dá não uma visão "informada" da cerimônia popular, não uma interpretação dela por meio do saber antropológico ou sociológico, mas (da mesma forma como nos vídeos de Meirelles, se bem que numa perspectiva bem diferente) o ponto de vista extasiado do devoto. Na verdade, esse vídeo consiste numa reelaboração de um antigo filme do mesmo autor - Congo (1972) -, em que, apesar do título, nenhuma imagem da congada era mostrada; a cerimônia era apenas sugerida por meio de textos alusivos aos eventos, tal como eles apareciam na imaginação erudita. Com o novo reposicionamento, Omar opera uma espécie de regressão propositadamente selvagem: o vídeo deixa de funcionar como um instrumento de saber e se converte num dispositivo de transferência perceptiva, pelo qual podemos, num certo sentido, vivenciar a experiência do outro como alguém que faz parte dela. Cronologia
Obras Selecionadas
Referências
Criada por: Juliana última modificação em: Sábado 18 of Novembro, 2006 [18:26:32 UTC] por Juliana |
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