André Parente
Autora: Priscila Arantes
BIOGRAFIA André Parente é artista, pesquisador e professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro onde, em 1991 funda o Núcleo de Tecnologia da Imagem. Atuando na interface entre cinema, artes visuais e novas mídias realiza desde os anos 1970 filmes, vídeo, fotografia, vídeo-instalações e instalações interativas. Aliando a pesquisa sobre o pensar e fazer a imagem com dispositivos interativos a temáticas que versam sobre o papel do espectador e da virtualidade, André Parente tem participado de exposições individuais e coletivas no Brasil, França, Alemanha, México, Espanha, Colômbia, Suécia, entre outros. Vencedor dos prêmios Sérgio Motta de Arte e Tecnologia (2005), Petrobrás (2004 e 2006) e Itaú Cultural (2002), realiza entre 1984 e 1987 seu doutorado na Universidade de Paris VIII – sob a direção do filósofo Gilles Deleuze - e, em 2001 conclui seu pós doutorado na Universidade de Paris III, onde ministrou aulas em 2004/2005. Publica uma série de livros e artigos sobre cinema, estética e novas mídias tais como: Imagem-máquina. A era das tecnologias do virtual (1993); Sobre o cinema do simulacro. Cinema existencial, cinema estrutural e cinema brasileiro contemporâneo (1998); O virtual e o hipertextual (1999); Narrativa e modernidade. O cinema não–narrativo do pós-guerra (2000); Tramas da rede Novas dimensões filosóficas, estéticas e políticas da comunicação (2005); Cinema et Narrativité (2005), Preparações e tarefas (Catálogo, 2008). IMPORTÂNCIA DE SUA OBRA Artistas contemporâneos têm se interessado pela pesquisa com novas modalidades do audiovisual a partir da criação de dispositivos que rompem com a narrativa linear do cinema tradicional. Reinventando o dispositivo cinematográfico a produção contemporânea - multiplicando telas, explorando outras durações e temporalidades da narrativa, transformando a arquitetura da tradicional sala de projeção- tem possibilitado outras relações dos espectadores junto à imagem. Para André Parente, a pesquisa sobre estas novas formas do audiovisual deve incorporar, necessariamente, a experimentação com o dispositivo imagético. Apoiando-se no pensamento estruturalista (ou mesmo pós-estruturalista) que é um pensamento do dispositivo por excelência, Parente afirma: “Segundo Michel Foucault, um dispositivo possui três diferentes níveis. Em primeiro lugar, o dispositivo é um conjunto heterogêneo de discursos, formas arquitetônicas, proposições e estratégias de saber e de poder, disposições subjetivas e inclinações culturais. Em segundo lugar, a natureza da conexão entre esses elementos heterogêneos. E, finalmente, a formação discursiva resultante das conexões entre tais elementos. Essa perspectiva nos leva a compreender que a imagem que temos do cinema - uma sala escura onde é projetado um filme que conta uma história e nos faz crer que estamos diante dos próprios fatos- e que chamamos de forma cinema, é uma formação discursiva, uma episteme, que faz convergir três dimensões em seu dispositivo: arquitetônica (a sala escura), tecnológica ( sistema de captação e projeção da imagem) e discursiva (o modelo representativo hegemônico)” . O interesse de Parente pela questão da imagem tem início nos anos 1970 quando o artista ingressa na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, cursando oficinas de cinema, fotografia e gravura. Entre os anos 1975 e 1978 realiza uma série de filmes em super 8 e, influenciado pelo grupo de pioneiros em vídeo-arte, desenvolve seus primeiros vídeos em parceria com Letícia Parente, seja como modelo, câmera ou co-autor. No final dos anos 1970, Parente ingressa na Cooperativa dos Realizadores Cinematográficos Autônomos (Corsina), da qual participavam além de Lygia Pape e Arthur Omar, vários outros cineastas que estavam preocupados com o cinema experimental e de artista. Já em Os Sonacineramas (1978), um dos primeiros filmes de Parente em 33 mm, percebe-se a preocupação do artista com o dispositivo imagético. Realizado a partir do texto do antropólogo Horace Miner, Os Sonacinerama, anagrama da palavra os americanos, é um falso-documentário que não tem imagem e o objeto do filme é o próprio espectador. Aqui o artista utiliza a tela do cinema como um espelho que reflete os espectadores que assistem a projeção. Como em uma fita de Moebius, Parente desconstrói a relação sujeito/objeto, imagem fílmica e observador do dispositivo cinematográfico tradicional: a narrativa aqui é o próprio corpo do espectador que deixa de ser um outro para se tornar corpo-imagem. Invertendo e questionando o documentário tradicional Parente, em Os Sonacineramas, desoculta, no sentido flusseriano do termo, o dispositivo: rompe com a distância entre o que é projetado e o que é a projeção, e apresenta um filme totalmente conceitual, revelador de sua preocupação com a pesquisa sobre o pensar e fazer imagem. A pesquisa sobre a imagem e a experimentação com o dispositivo se desenvolve em outros trabalhos de Parente, como em Visorama-Paisagem Carioca (2000) - instalação interativa realizada com Luiz Velho que incorpora discussões sobre a interatividade e a imersividade do espectador - e Moving Movie (2007), filme e projeção com feedback na sala de cinema com participação do público. Também em Moving Movie percebe-se o aspecto relacional do dispositivo construído por Parente: a imagem do filme é a do próprio espectador captada por um projetor e uma câmera de vídeo em circuito fechado. Pensar o dispositivo para Parente significa, ao mesmo tempo, incorporar a discussão e o pensar o espectador. Quem vê e o que é visto fazem parte de um mesmo sistema: cada elemento se define necessariamente na relação com o outro. Esta idéia da fita de Moebius, desta circularidade, se explicita, dentro de uma perspectiva diversa, em outras produções de André Parente como por exemplo em Curto-Circuito (1979), Entre–Margens (2004), Estereoscopia (2005) e Circulandô (2007). Em Curto-Circuito temos uma vídeo-instalação, com dupla projeção, de um homem que foge pelas ruas do Rio de Janeiro; ora ele foge a pé, ora ele foge de carro. A escolha da dupla projeção não parece casual: o dispositivo já mostra a intenção em criar esta circularidade na narrativa que dialoga consigo mesma. Em Entre-Margens, esta idéia se repete: “De um lado, temos, em campo, a imagem do rio. Do outro lado, em contracampo, temos a paisagem. O filme do rio termina no início do filme da terra e vice-versa, de forma que o rio e a terra são como as duas faces do mesmo filme”. Já na instalação-interativa Estereoscopia, temos uma espécie de mantra digital baseada em imagens fractais de um casal que se olha em campo/contracampo. Aqui, mais uma vez, notamos a idéia da circularidade, da banda de Moebius onde não há diferença, ou onde há um esboroamento das fronteiras entre o ‘eu’ e o ‘outro’. OBRAS SELECIONADAS OBJETOS “Il faut rever” (caixa de jóia com pedra e botton de Lênin) Nanoexposição: ArtBo – Feira Internacional de Arte de Bogotá, 2008 e Galeria Artist Space, localizada em Estocolmo, 2009 FOTOGRAFIAS Realização de um conjunto de diapositivos para o audio-visual da exposição de Letícia Parente (Medidas) no MAM, Rio de Janeiro, 1975. Realização de um conjunto de Fotografias(1977) do corpo de Letícia Parente. As fotografias foram utilizadas em uma série de fotos e em um video de autoria de Letícia intitulado De Aflictibus – Ora Pro Nobis (1978). Apresentacão de um conjunto de fotos para a Exposição André Parente e Chico Filho, Galeria Crédimus, 1978. Apresentação de Fotos na exposição “Suporte”, Galeria Tempo Rio de janeiro, 2007 Apresentação de Fotos na exposição Verdadeira Grandeza, Ateliê da Imagem, Rio de Janeiro, 2008. FILMES A Morte da Galinha em Sabinopolis (1976, Super-8, 18 minutos) Documentário narrado, na primeira pessoa, da Festa de Nossa Senhora da Aparecida, na cidade em que o artista nasceu e que ele estava revisitando pela primeira vez. Escola de artes visuais do Parque Lage, 1978 Galeria Crêdimus, 1976 Mau-á (1977, Super-8, 16 minutos) Grupo de amigos viajam de LCD em Mauá. Entre o grupo, está o cantor Cazuza e o próprio diretor do filme. Escola de artes visuais do Parque Lage, 1977 Galeria Crêdimus, 1978 Canoa Quebrada (1978, Super-8, 22 minutos) Documentário sobre a cidade de pescadores do litoral do Ceará. Galeria Crêdimus, 1976 Fome (1978, Super-8, 2,30 minutos) Do alto de um prédio da Cinelândia vemos, em plano fixo, a palavra FOME, escrita com milho, em letras de dois metros de altura. Os pombos comem o milho se dispersam. André Parente e Chico Filho, Galeria Credimus, 1978 Os Sonacirema (1979, 35mm, 12 minutos, Preto e Branco) Falso documentário no qual o objeto do filme é o próprio espectador. Roteiro, produção, direção e montagem : André Parente Narração: Sergio Santeiro, Ivone Maggie, Enrica Bernadelli, Tavinho Paes, Maurício Viana, Ane Beatriz Freire e muitos outros. XII Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 1979; IVeme Festival des Trois Continents, Nantes, França, 1982; 3eme Festival du Cinéma Brésilien, Cinéma Le Denfert, Paris, 1983; Mostra F de Fraude no Cineclube Estação Botafogo, RJ, 1989. Filmes de Artista, Oi Futuro, RJ, 2007 Debates incalculáveis, Casa Amarela, Fortaleza, 2007 Curto-Circuito (1979, 35mm, preto e branco, 14 minutos) Filme que mostra um homem (Joel Barcelos) fugir, primeiro a pé, e depois de carro, sem nenhuma razão aparente. O filme acaba quando o homem chega em casa. Ator: Joel Barcelos Fotografia: Flávio Ferreira Roteiro, Montagem, Direção e Produção: André Parente Música incidental: Miles Davis Encontros com o Cinema Brasileiro, Cinemateca do MAM, RJ, 1980; Filmes da Corcina, Sala Sidney Miller, Funarte, RJ, 1980; 100 Films D'Amérique Dite Latine, Cinéma Le Denfert, Paris, 1980; Jornada Brasileira de Curta-Metragem, Salvador, BA, 1981; Festival de Curta e Média-Metragem de Niterói, 1982. Filmes de Artista, Oi Futuro, RJ, 2007 Debates incalculáveis, Casa Amarela, Fortaleza, 2007 Na Arte, Nada se Perde, Nada se Cria, Tudo Se Transforma (1980, 35mm, 18 minutos) Falso documentário sobre a história da arte tendo como objetos ready-mades representatives dos diversos períodos históricos realizados por Essíla Paraíso. Fotografia: Walter Carvalho Texto: Fernando Cocchiarale Narração: Arlênio Lívio Montagem: Aída Marques Música incidental: Philip Glass Sala Sidney Miller, Funarte, RJ, 1982; 3eme Festival du Cinéma Brésilien, Cinéma Le Denfert, Paris, 1983; Festival de Berlin, Mostra Paralela, 1984. Abertura (Hors-Concours) do I Festival do Cinema Brasileiro de Fortaleza, 1985. Mostra F de Fraude no Cineclube Estação Botafogo, RJ, 1989. Mostra Situações Encontradas: Filmes e vídeos de Artistas, Museu de Strasbourg, 2003 Filmes de Artista, Oi Futuro, RJ, 2007 Debates incalculáveis, Casa Amarela, Fortaleza, 2007 Une Bresilienne à Paris, (1987-91, 16mm, colorido, 15 minutos) Inspirado em um poema de Mallarmé, uma brasileira da noite parisiense tenta seduzir um professor de literature e fotógrafo voyeur. A moral da história é que todo voyeur esconde um exibicionista e vice-versa. Atores: Jacques Rosselot e Rosa Maria Fotografia: Emmanuel Ortner e Eric Buchat Som: Philippe Faujas e Jean-Luc Oublié Edição: Silvia Alencar Roteiro e Direção Produção: GREC (Groupe de Recherche et essays Audiovisuels) e FCB (Fundação do Cinema Brasileiro) Centre National de la Cinematographie, Paris, Dezembro, 1991 VÍDEOS O Homem do Braço e o Braço do Homem. (1978, Vídeo porta-pack, 6 min., em parceria com Letícia Parente) Vê-se a imagem de um anúncio de uma academia de ginástica, em neon, de um corpo de homem da cintura para cima, exercitando o braço. Em seguida, vê-se um homem de torso nu, da cintura para cima, movimentando o braço da mesma forma. À medida que o gesto se repete, o homem demonstra fadiga e não sustenta o ritmo do movimento. Poéticas Visuais, São Paulo, 1978; VII International Open Encounter on Vídeo, New York, 1978; Encontro Internacional de Vídeo-Arte, São Paulo, 1978); Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1999; Corpo, Itaú Cultural, 2005; Tecknô n. 5. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Onde. (1978, Vídeo porta-pack, em parceria com Letícia Parente) As mãos de uma pessoa aparece na frente da televisão, fazendo gestos lentos como uma dança oriental. Pouco a pouco a imagem da televisão vai se repetindo ao infinito por conta do efeito de feedback, gerando imagens fractais, cujos padrões se repetem em ciclos. Poéticas Visuais, São Paulo, 1977; VII International Open Encounter on Vídeo, New York, 1978; I Encontro Internacional de Vídeo-Arte, São Paulo, 1978) Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1999; O Corpo na Arte Contemporânea, Itaú Cultural, 2005 Situações Encontradas (1993, Betacam, 21 min.) Trata-se de um video documentário conceitual e poético sobre a obra do artista Ivens Machado. Musica: Fernando Moura Fotografia: Leonardo Neri Edição: Totti Brondi Produção: Rio Arte e N-Imagem Sala Sergio Porto, Rio de Janeiro, em março de 1993 Instituto Cultural Itaú, São Paulo, 1995; Rio Cine Festival, julho de 1994; Vídeos de artista (coleção Videoarte) CCBB, Rio de Janeiro, em 1997; O Santo sem Cabeça. (2005, DV, 6,40 Minutos) Em 1986, o Prefeito da cidade de Caridade (Ceará), construiu uma imensa estátua em homenagem à Santo Antônio, padroeiro da cidade. Vinte anos depois, a estátua continua inacabada, estando a cabeça separada do corpo por mais de um quilômetro, dando origem a muitas fabulações políticas, religiosas e morais. Música e Edição de Som: Fernando Moura Fotografia: Alexandre Veras Som Direto: Yures Viana Edição: João Alegria Produção: MP2 e N-Imagem Patrocínio: Petrobrás Mostra Petrobrás, Cinema Odeon, Rio de Janeiro, 2005; Vídeo que Inaugurou o site Curta Cinema – Petrobrás, 2005; Mostra Petrobrás de Novas Mídias, 2005; Festival Internacional de Cinema de São Paulo, 2006; Tecknô n. 5. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Dança das cadeiras (2007, DV, 1,45 Minutos, em parceria com Katia Maciel) Um casal anda em círculos em torno de duas cadeiras. Progressivamente as cadeiras vão sendo jogadas para fora da cena, mas o casal continua andando em círculos. fotografia e edição: Lucas Parente produção: N-imagem Situação Cinema, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 2007 Na parede. (2007, DV, 1 minuto, em parceria com Katia Maciel) O artista entra e sai de um molde no muro. Fotgrafia: João Paulo Toledo Quintella Edição: Vinicius Quintella e Lucas Parente Produção: N-Imagem Tecknô n. 5. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Situação Cinema, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 2007 Circuladô (4’50’’, DV, preto e branco) Vídeo de”found footage” mostrando a imagens de cinco personagens míticos -Thelonius Monk, Édipo, São Francisco, Corisco, Dervish – que giram sem parar. Transe - Festival de Cinema de Buenos Aires, 2008. Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, 2008. Festival Internacional de cinema e vídeo de São Paulo, 2008. ArtBO, Feira Internacional de Arte de Bogotá, 2008. +Dois (2009, DV, 3’40’’ em parceria com Kátia Maciel) O artista e sua mulher se deitam um depois do outro, em um deck que avança sobre a Lagoa da Conceição (Florianópolis), como se eles estivessem medindo a paisagem com seu corpo. Vaga-lume, Mostra de vídeo experimental do Instituto de Artes – UFRGS Desde 2002 o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Paisagem n. 1 (loop 2’38’’, DV) Uma paisagem mostrando o delta do Parnaíba. O vídeo é uma imagem panorâmica de 360 graus com mudanças atmosféricas. Vaga-lume, Mostra de vídeo experimental do Instituto de Artes – UFRGS, 2009. Impressionnisme et Art vidéo : la lumière en écho, Rouen, França 2010. INSTALAÇÕES Entre Margens (2004, Vídeo-instalação, 20 minutos) A instalação busca “representar”, por meio de paisagens visuais e sonoras, a condição intermediária, virtual e metafísica, expressa no conto A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa. Nesta instalação o espectador permanece entre duas imagens projetadas. De um lado, o rio muda, sem cessar. Dia, noite, tarde, madrugada. A luz e o movimento das águas mostram que o tempo passa e não passa, vai e não vai, para e não para, circula. O tempo é maré, diferença e repetição. Narração: Luiz Fernando Carvalho; Fotografia: Luis Felipe Sá; Música: Fernando Moura; Edicão: Leonardo Domingues; Produção: Márcio Pinto; Produtora: MP2 Produções e N-Imagem Hyper, relações eletro-digitais. Santander Cultural, Porto Alegre, 2004. Em Tempo Sem Tempo. Paço das Artes, São Paulo, 2005. Tecknô n. 5. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Espectador em Trânsito, SESC, Rio de Janeiro, 2008 O Santo Sem Cabeça (2005, Vídeo Instalação, 6,40 Minutos) Em 1986, o Prefeito da cidade de Caridade (Ceará), construiu uma imensa estátua em homenagem à Santo Antônio, padroeiro da cidade. Vinte anos depois, a estátua continua inacabada, estando a cabeça separada do corpo por mais de um quilômetro, dando origem a muitas fabulações políticas, religiosas e morais. Música e Edição de Som: Fernando Moura Fotografia: Alexandre Veras Som Direto: Yures Viana Edição: Tomás Magarinos e João Alegria Produção: MP2 e N-Imagem Patrocínio: Petrobrás Situação Cinema”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2007 Curto-Circuito (2007, Vídeo-Instalação, 5,20 Minutos) Um homem foge pelas ruas do Rio de Janeiro sem que o espectador saiba qual o motivo de sua fuga. Ator: Joel Barcelos Fotografia: Flávio Ferreira Edição : Tomás Magarinos Música: Miles Davis Producão: N-Imagem “Situação Cinema”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2007 Circuladô (2007, loops, 5 telas de 5 polegadas) Instalação interativa baseada no Zoetrope (a "roda do diabo"), contendo imagens de personagens reais e fictícios (Thelonius Monk, Corisco, Édipo, São Francisco, praticante Sufi, Pomba Gira) girando em experiências limites (loucura, morte, transe). Edição: Tomás Magariños e Lucas Parente Música: André e Lucas Parente Produção: N-Imagem “Situação Cinema”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2007 Entre Margens, Dança em foco, Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2009. Belvedere (16’20’’, vídeo-instalação site specific Vídeo HDV e Fotografias, 2010) Esta instalação é composta de duas partes: uma projecão da paisagem externa contendo diversas camadas temporais (a projeção cria a ilusão de que a parede foi retirada, permitindo ao espectador ter uma visão direta da paisagem externa), e uma série de fotografias do Belvedere da Estrada Rio-Petrópolis, cuja forma arquitetônica se assemelha a do MAC. A projeção e as fotografias problematizam o espaço do próprio museu. Tempo-matéria, MAC, Niterói, Março 2010. Caminho (2’50’’ vídeo-instalação site specific, 4 Telas HDV, 2010) A obra é um processo, sua percepção se efetua na duração de um percurso. Engajado em um percurso, envolvido em um dispositivo, imerso em um ambiente, o espectador participa da mobilidade da obra. No caso de "Caminho", o percurso é o percurso do artista, que entra na casa por diferentes entradas, e caminha até o lugar onde os vídeos são colocados na parede. Cria-se uma tensão entre a imagem e o real, de tal modo que os dois espaços, o espaço expositivo e a o espaço imagético se interpenetram, deixando ao espectador a liberdade de refazê-lo, recriá-lo mentalmente. Liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 2010. INSTALAÇÕES INTERATIVAS Visorama (1997-2007, Sistema de visualização de ambientes virtuais) O Visorama é um sistema de visualização de ambientes virtuais foto-realistas. O hardware do Visorama simula um binóculo normal, por meio do qual o espectador pode interagir com a paisagem real e virtual. Cada uma das instalações do Visorama possui um conteúdo diferente. Instalação Interativa de André Parente e Luiz Velho Software e Programação: Sergio Estevão Pinheiro Machado Produção: N-Imagem (UFRJ) e Laboratório Visgraf (Impa) Apoio: CNPq, UFRJ, Impa, Fujb, Faperj Paisagem Carioca. Instalação de Realidade Virtual, 2000 (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2000; 2a Mostra Petrobrás de Realidade Virtual, Centro Cultural Cândido Mendes, 1999); Situação Cinema”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2007 Estereoscopia (2005, Instalação interativa, loop) Instalação interativa baseada em duas imagens de um casal que se olha, em campo/contra-campo. Um zoom infinito que envolve a imagem de duas pessoas fotografadas em campo-contra/campo (dispositivo principal da representação audiovisual) reproduzindo, conceitualmente, a situação de uma imagem fractal (a parte contém o todo). Programa de Visualização: Sergio Pinheiro Machado Programação: Erivelton Muniz da Silva; Música: Aline Couri Brasil Digital - @rt Outsider. Maison Europeenne de la Photographie, 2005. Interconnect: between attention and immersion. ZKM, Alemanha, 2006 Tecknô n. 5. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Espectador em Trânsito, SESC, Rio de Janeiro, 2008 Na arte, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma (2006, Instalação interativa, imagem mosaico com loops) Baseada na exposição A História da Arte, de Essila Paraíso (Espaço ABC, 1980), trata-se de uma vídeo-instalação interativa que tem como conceito principal a arte por um fio, da história. Colaboração Especial: Essila Paraíso Texto: Fernando Cochiaralle Locuçao: Arlênio Lívio Fotografia: Walter Carvalho Programaçao Multimídia: Erivelton Muniz da Silva Música: Philip Glass Produção: André Parente e N-Imagem (Núcleo de Tecnologia da Imagem) Fake, galeria 90, Rio de Janeiro, 2006 Por um fio, CPFL, Campinas, 2006 Por um fio, Paço das Artes, São Paulo, 2007 PRINCIPAIS EXPOSICÕES Individuais André Parente e Chico Filho: Exposição de Monotipias, Fotos, Filmes (Super 8) e Arte Ambiental na Galeria de Arte Crédimus, Fortaleza-CE, 1978. Situacão Cinema: exposição de videos, instalações e instalações interativas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, outubro a dezembro de 2007. Entre-Margens. Alpendre, Fortaleza. Exposição com 2 instalações e videos, 2008. COLETIVAS INTERNACIONAIS Hyper, relações eletro-digitais. Santander Cultural, Porto Alegre, 2004. Em Tempo Sem Tempo. Paço das Artes, São Paulo, 2005. Brasil Digital - @rt Outsider. Maison Europeenne de la Photographie, 2005. Interconnect: between attention and immersion. ZKM, Alemanha, 2006 Filmes de Artistas. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Por um fio. Paço das Artes, 2007 Tecknô n. 5. Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2007 Paisagens - Vídeos Brasileiros. Reina Sofia, 2007. CURADORIAS Principais Produções em Novas Mídias Entre Margens, exposição/instalação de vídeo no evento Dança em Foco, Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2009. “Preparações – Panorama da Videoarte Brasileira”. (em parceria no com Alexandre Veras) Exposição de vídeos 18 vídeo-instalações no Evento Bienal de Par em Par – Terceira Margem, Caixa Cultural, Fortaleza 2008. Preparações e tarefas – Letícia Parente (vídeos, 1975-1982). Paço das Artes, 2007 Helloworld, instalação pública com projeção à laser (em parceria com Kátia Maciel). Rio de Janeiro, Genebra, New York e Mumbai, 2004. CD-Rom “O presente é um momento infinitamente curto – a obra de Arthur Barrio”, de Katia Maciel, 2001 CD-Rom "H.O. Suprasensorial" de Katia Maciel, 1999. PRINCIPAIS PRÊMIOS Livro de Sombras, Prémio Edital Oi Cultural, 2010. Marca Registra, Prêmio de Memória das Artes, Petrobrás, 2006 Figuras na Paisagem. Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, 2005. Santo Antônio, um Santo sem Cabeça. Novas Mídias, Petrobrás, 2004. Atravessamentos (NBP-Visorama), em parceria com Ricardo Basbaum. Transmídia, Itaú Cultural, 2002. PRINCIPAIS LIVROS Parente, André (org.) Preparações e tarefas . São Paulo, Paço das Artes (no prelo) Parente, André. Cinema et Narrativité. Paris, L’Harmattan, 2005. Parente, André. Tramas da Rede. Novas dimensões filosóficas, estéticas e políticas da comunicação. Editora Sulina, 2004. Parente, André e Maciel, Kátia. Redes Sensoriais: arte, ciência e tecnologia. Editora Conta Capa, 2003 Parente, André. Narrativa e modernidade. O cinema não–narrativo do pós-guerra. Editora Papirus, 2000. Parente, André. O virtual e o hipertextual. Editora Pazulin, 1999. Parente, André. Sobre o cinema do simulacro. Cinema existencial, cinema estrutural e cinema brasileiro contemporâneo. Editora Pazulin, 1998. Parente, André. Imagem-máquina. A era das tecnologias do virtual. Editora 34, 1993. Parente, André e Nagib, Lúcia. Ozu: O Extraordinário Cineasta do Cotidiano. Marcos Zero, 1990. Yasujiro Ozu. O extraordinário cineasta do cotidiano. Editora Marco Zero. 1990. Trata-se de uma coletânea de textos sobre o cinema zen, Yasujiro Ozu. Este livro foi conceituado e organizado por mim e teve a produção editorial de Lúcia Nagib. Imagem-máquina. A era das tecnologias do virtual (Ed. 34, 1993) Esta coletânea não é uma somatória. Ela quer registrar a emergência de questões e pensamentos sobre as novas tecnologias da imagem que pontuam nossa atualidade, no nível dos saberes artísticos e científicos. A diversidade de pontos de vista, por vezes antagônicos, na leitura deste recolho de ensaios - escritos por filósofos, físicos, matemáticos, semiólogos, sociólogos, artistas plásticos, videomakers, enfim, teóricos e especialistas de múltiplas disciplinas, algumas delas nascentes, como a infografia -, é esclarecedora: ela nos leva inevitavelmente a uma compreensão transdisciplinar do poder da imagem na modelização do mundo e do sujeito da contemporaneidade, numa dimensão indissociavelmente ontológica e prática. Sobre o cinema do simulacro. Cinema estrutural, cinema existencial, cinema brasileiro contemporâneo. (Pazulin, 1998) Os ensaios que compõem este livro são atravessados por uma idéia que confere unidade aos textos e lança os termos para se pensar o cinema contemporâneo numa única operação - estética e política - que define em larga medida o lugar que a reflexão sobre a imagem cinematográfica deve instaurar hoje. Este lugar, que é de forma ampla o da crítica de arte, precisa, de acordo com Giulio Carlo Argan, ser o da luta por uma "intrínseca politicidade da cultura", tarefa aqui assumida em sua radicalidade. Dividido em três partes, Cinema Existencial, Cinema Estrutural e Cinema Brasileiro Contemporâneo, organizadas em torno de determinados elementos em comum que justificam sua periodização, Ensaios Sobre o Cinema do Simulacro coloca em circulação os temas, conceitos e rupturas estéticas perpetradas pelas próprias imagens cinematográficas e que se relacionam necessariamente com outras práticas: "É pela interferência de muitas práticas que as coisas se fazem, os seres, as imagens, os conceitos, todos os gêneros de acontecimentos, afirma Deleuze sobre a teoria do cinema. The virtual realm and the hypertextual (1999) O virtual é uma categoria estética que se apresenta sempre como recriação de um real recalcado, ou seja, de um real que se confunde com sua representação dominante. Trata-se de entender como positivar a imagem virtual sem cair nas armadilhas das velhas oposições entre as velhas e as novas tecnologias. Imagem manual, imagem técnica, imagem digital, redes de imagem, pouco importa - as tecnologias da imagem são acontecimentos multitemporais, equipamentos coletivo de subjetivação - o que importa é saber como a imagem pode continuar a manter a sua função noética/estética. Narrativa e modernidade. Os cinemas nao narrativos do pós-guerra. (2000) Este livro discute a oposição entre narratividade e não-narratividade que atravessa boa parte das teorias do cinema no que diz respeito a noção de linguagem cinematográfica, em particular a crítica de três importantes movimentos do cinema do pós-guerra: o cinema experimental, o cinema direto e o cinema disnarrativo. Redes sensoriais. Arte, ciência e tecnologia. (organizado em parceria com Katia Maciel, 2003) Esta coletânea tem como objetivo dar visibilidade a um campo experimental da pesquisa contemporânea ao pensar à arte, a ciência e a tecnologia como agentes da transformação das escritas e narrativas, dos espaços urbanos, dos ambientes cognitivos e das formas de vida. Na primeira parte do livro, reunimos os textos referentes à discussão sobre Narrativas e escritas digitais. Das experiências com o cinema interativo às estratégias dos modelos da escrita digital, esta parte aprofunda a discussão da hibridização das novas interfaces interativas com os meios tradicionais de comunicação.Na segunda parte, Performances e interferências urbanas consideramos importante destacar os efeitos das novas tecnologias na construção de novas formas de subjetivação, entre a ação e a transformação, e de outras dinâmicas de acesso aos espaços urbanos. Na terceira parte, reunimos trabalhos que exploram os Processos de visualização como um novo instrumental do pensamento científico e artístico, ao lado das lógicas e das narrativas. Os Ambientes virtuais são apresentados na quarta parte: ambientes multiusuários, jogos interativos, projeções imersivas apontam para o surgimento de outros espaços sensíveis e cognitivos. Na última parte concentramos os textos que discutem as estruturas pós-biológicas, em que uma combinação dos organismos vivos e dos sistemas maquínicos está presente em pesquisas que reinventam a genética e rediscutem os fluxos da vida. Tramas da Rede. Novas dimensões filosóficas, estéticas e políticas da comunicação. (2004) A noção de rede perpassa hoje quase todas os campos das ciências humanas e exatas, puras e aplicadas. A noção de rede vem despertando um tal interesse nos trabalhos teóricos e práticos de campos tão diversos como a ciência, a tecnologia e a arte, que temos a impressão de estar diante de um novo paradigma que remetem a um pensamento das relações em oposição a um pensamento das essências. Procuramos reunir neste livro artigos que tem como principal objetivo fazer compreender a um público amplo e transdisciplinar que se quisermos entender o mundo em que vivemos, qualquer que seja o domínio considerado, devemos pensar sobre a noção de rede. Mas se elegemos a figura da rede como principal metáfora para entendermos as transformações em curso, não podemos entender sua importância e extensão se a reduzimos ao fato histórico da emergência das novas tecnologias de comunicação e do ciberespaço. O pensamento das redes está associado a pelo menos três temáticas gerais, cada uma delas constituindo uma parte do livro: a filosofia da rede, a ética e estética da rede, a rede como nova dimensão da comunicação. Muito embora os textos aqui apresentados, escritos por especialistas de áreas tão distintas quanto a filosofia, as ciências humanas e exatas, a arte e a tecnologia, nos ofereçam distintas abordagens sobre as questões das redes, eles compartilham algo em comum: a rede se tornou uma dimensão, indissociavelmente ontológica e prática, de modelização do mundo e da subjetividade. Cinema et Narrativité, 2005 (Cinema e Narratividade) Neste livro, publicado em francês pela editora L’Harmattan, trata da noção questão da natureza narrativa ou não do cinema. Procuramos ainda analisar os três principais movimentos de cinemas ditos não-narrativos do pó-guerra: cinema experimental, cinema direto e cinema disnarrativo. Outros (Fotografia, Roteiros e Direções de trabalhos documentais) Roteiro “Redes Globais: a conquista do ciberespaço”, roteiro do programa Globo Ciência, Rede Globo, Rio de Janeiro, março de 1998. Roteiro “Redes Globais: a emergência do ciberespaço”, roteiro do programa Globo Ciência, Rede Globo, Rio de Janeiro, março de 1998. Premiado no Concurso de Roteiros Cinematográficos. Promovido pela Secretaria de Cultura e Desportos do Ceará, Fundação do Cinema Brasileiro e Prefeitura de Fortaleza, com apresentação do roteiro A Terceira Margem do Rio, janeiro de 1990. Diretor de fotografia de três vídeos de Letícia Parente: A Chamada, O Ponto e Especular - realizados em 1977 e apresentados em: Poéticas Visuais, Museu de Arte Contemporânea da USP, 1977; VI International Open Encounter on Video Art, Anvers, França, 1978; VI International Open Encounter on Video Art, Buenos Aires, 1978; VII International Open Encounter on Video Art, New York, 1978; Co-realização (com Letícia Parente) do vídeo Faraday, O Cientista , U-Matic, 50 minutos, 1982, apresentado em: 34ª Reunião da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC, Campinas, 1982; XIII Mostra Internacional do Filme Científico, Rio de Janeiro, 1982. Direção de edição de vídeos documentários (científicos, didáticos e institucionais) e de ficção produzidos pelo Núcleo de Criação e Produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988-90: GEMD (U-matic, 7', 1988 ); Censo da Maré (U-matic, 3', 1988); Colégio Aplicação: 40 anos (U-matic, 9', 1988); COPPE, 25 anos (U-matic, 8', 1989); Quarteto de Cordas(U-Matic, 12', 1989); Conscientização dos Direitos (U-matic, 9', 1989); Rio/Barra/Rio (U-matic, 14', 1990);Fogo, (U-matic, 15', 1990); O Médico e o Monstro (U-matic, 14', 1990). Direção de uma série de vídeos documentários (científicos, didáticos e institucionais)e de ficção produzidos pelo Núcleo de Criação e Produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988-90: GEMD (U-matic, 7', 1988 ); Censo da Maré (U-matic, 3', 1988); Colégio Aplicação: 40 anos (U-matic, 9', 1988); COPPE, 25 anos (U-matic, 8', 1989); Conscientização dos Direitos (U-matic, 9', 1989); Engenharia Naval (U-matic, 7', 1989);Quarteto de Cordas (U-Matic, 12', 1989); Rio/Barra/Rio (U-matic, 14', 1990); Fogo, (U-matic, 15', 1990); O Médico e o Monstro (U-matic, 14', 1990). Realização (pesquisa, roteiro, câmera, direção e edição, juntamente com Carlos Melo) do vídeo Sentidos - A experiência espiritual dos Anos 80 - , vídeo promovido pela Fundação Ford/Anpocs, Iser Vídeo, COPPE-UFRJ e ECO-UFRJ. 1989-93. SITES Pessoal: www.eco.ufrj.br/aparente Visorama: www.eco.ufrj.br/visorama N-Imagem: www.eco.ufrj.br/n-imagem Criada por: priarantes última modificação em: Quinta-feira 25 of Março, 2010 [14:58:44 UTC] por priarantes |
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